Teatro português se apresenta no Goethe-Institut

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Pequena produtora sediada em Lisboa, a Má-Criação atravessa o Oceano Atlântico com dois espetáculos na bagagem, numa circulação que passa pelo Brasil, Argentina e Chile. Em Salvador, o grupo ocupa o Teatro do Goethe-Institut Salvador-Bahia/ICBA: a peça “As cidades invisíveis”, de Alex Cassal, com sessões nos dias 3 e 5 de agosto (quinta e sábado), às 20h; e “L-O-V-E”, de Paula Diogo, nos dias 4 de agosto (sexta), às 20h, e 5 de agosto (sábado), às 18h. A temporada tem apoio da Dimenti Produções Culturais e do Goethe-Institut, com o suporte da República Portuguesa – Cultura, Apoio à Internacionalização DGartes – Direção Geral das Artes, Apoio à Circulação Fundação GDA.

Apostando em criações capazes de criar pontes entre artistas de países diferentes e em espetáculos com forte componente autoral, a Má-Criação reúne nas duas obras a mesma equipe e procedimentos artísticos. Ambas se inspiram em autores fundamentais do século XX – Italo Calvino e Roland Barthes –, mas sem solenidade: o propósito é colocar a sua literatura em jogo e em questão. São peças que assumem abertamente que estão em um teatro, a falar para os espectadores, dialogando com o aqui e o agora: as crises políticas, a cultura pop, a velocidade fluida de ideias e acontecimentos.

AS CIDADES INVISÍVEIS – Três refugiados flutuam no meio do Mar Mediterrâneo levando o que conseguiram carregar: um salva-vidas, algumas tangerinas, uma couve, três animais de brinquedo, uma manta daquelas que as avós usam, onze livros, cinco postais. No total, são 55 objetos em cena, transformados pelos atores em mapas e abrigos, maquetes e memórias de cidades ficcionais como Despina, Esmeraldina e Adelma; mas também em cidades reais como Lisboa, Mar del Plata, Santiago do Chile e Aleppo, na Síria. O espetáculo partiu de um convite do Teatro Maria Matos de Lisboa ao encenador carioca Alex Cassal, fundador do grupo Foguetes Maravilha: criar uma obra para o público jovem a partir de um dos livros mais emblemáticos de Italo Calvino, no qual o viajante Marco Polo descreve ao Imperador Kublai Kan 55 das cidades mais distantes e extraordinárias de seu reino. O resultado deste convite é uma peça que acumula camadas de sentido entre literatura e teatro, cantigas populares e construções arquitetônicas, comédia e documentário, diários de viagens e notícias sobre um pequeno barco de refugiados prestes a afundar no Mar Mediterrâneo. Em cena, os atores portugueses Alfredo Martins, Paula Diogo e Rafaela Jacinto.

ALEX CASSAL nasceu em 1967 no Brasil. É encenador, dramaturgo e ator, licenciado em História. Vive entre o Rio de Janeiro e Lisboa. Vem trabalhando com artistas da dança como Gustavo Ciríaco, Dani Lima e Michelle Moura; e do teatro, como os brasileiros Enrique Diaz e Felipe Rocha e o português Tiago Rodrigues. É fundador do grupo Foguetes Maravilha, um dos expoentes do teatro contemporâneo do Rio de Janeiro, responsável por espetáculos como “Síndrome de Chimpanzé”, “Ninguém Falou que Seria Fácil” e “Ele Precisa Começar”. Dirigiu o espetáculo “Tome Isto ao Coração” com o grupo Dimenti em 2012 e é um dos diretores responsáveis pela obra coletiva “6 Modelos Para Jogar”, apresentado no FIAC 2015.

L-O-V-E – Em “Fragmentos de um Discurso Amoroso”, Roland Barthes isolou 80 estruturas de linguagem que integram o discurso amoroso. Não se trata de palavras isoladas, mas rajadas abruptas de linguagem que assaltam o apaixonado. É o discurso amoroso em ação ou, nas palavras de Barthes, “é o apaixonado no trabalho”. Estafado pela literatura, pela música e pelo cinema e desacreditado pelo pensamento contemporâneo, o discurso amoroso oscila entre a vocação de grande paradigma da existência e a vulgarização pela repetição exaustiva. Todos procuramos o amor das grandes narrativas, mas ainda podemos dizer “eu te amo” sem que isso seja uma citação? “L-O-V-E” parte do mapa-labirinto de Barthes para arriscar uma nova configuração do discurso amoroso. Ou várias possíveis configurações que se destroem umas às outras. Sozinha em cena, a encenadora e atriz Paula Diogo executa sucessivas tentativas e erros que se acumulam até a exaustão, a destruição, o clímax, o silêncio. Como nas histórias amorosas. “L-O-V-E” tenta. Como Barthes, tenta identificar o esforço do apaixonado na tentativa – inglória? – de fazer sentido. Ginástica discursiva.

PAULA DIOGO nasceu em 1977 em Portugal. Formou-se pela Escola Superior de Teatro e Cinema em Lisboa. Foi cofundadora do Teatro Praga, da TRUTA e da produtora O Pato Profissional Lda. Em 2004, foi distinguida pelo CPAI com o Prêmio Teatro na Década – Melhor Atriz, pelo espetáculo “Private Lives”, do Teatro Praga. Em 2006, foi bolsista do CNC, acompanhando os Gob Squad (UK/DE), em Berlim. Em 2007, frequentou o Curso de Encenação do Programa CCA da Fundação Calouste Gulbenkian, com os ingleses Third Angel. Em 2009, começou a desenvolver a Má-Criação, uma estrutura dedicada a projetos colaborativos de performance e teatro. Em 2010, foi encenadora residente no NTN em Nápoles, Itália, dirigido por Antonio Latella. Colabora atualmente com diversos criadores e companhias em Portugal, Brasil, França e Itália.

AS CIDADES INVISÍVEIS - Dramaturgia e encenação: Alex Cassal 
Criadores-intérpretes: Alfredo Martins, Paula Diogo e Rafaela Jacinto
Quando: 3 e 5 de agosto (quinta e sábado), 20h Onde: Teatro do Goethe-Institut Salvador-Bahia/ICBA
(Av. Sete de Setembro, 1809, Corredor da Vitória) Classificação etária: 12 anos
Quanto: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia entrada) Duração: 70 minutos Trailer: www.vimeo.com/160438244

L-O-V-E Encenação e interpretação: Paula Diogo Quando: 4 de agosto (sexta), 20h; 5 de agosto (sábado), 18h
Onde: Teatro do Goethe-Institut Salvador-Bahia/ICBA (Av. Sete de Setembro, 1809, Corredor da Vitória)
Classificação etária: 12 anos Quanto: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia entrada) Duração: 50 minutos
Apoio financeiro: Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito do Programa Gulbenkian de Língua e Cultura Portuguesas – Concurso de Apoio à Criação. Trailer: www.vimeo.com/203252676

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