Luiz Marfuz lança seu mais novo livro Dramaturgia do acontecimento no telejornal

sexta-feira, 2 de junho de 2017

O jornalista e diretor teatral Luiz Marfuz lança seu mais novo livro Dramaturgia do acontecimento no telejornal: a emoção no palco da notícia, no dia 07 de junho de 2017, entre 17h e 20h, no Palacete das Artes, na Graça, durante o XIII Festival de Livros e Autores da UFBA. Publicado pela Edufba, o livro examina as relações entre drama, espetáculo e notícia, com ênfase no papel que o folhetim, o melodrama, a radionovela e a telenovela, o teatro e o cinema exercem na construção do acontecimento telejornalístico. 
Para o autor, cada notícia telejornalistica constrói seu próprio drama, dividido em capítulos, atos ou episódios com ganchos que prendem o espectador na teia da audiência do mesmo modo que uma novela, peça de teatro ou minissérie. E completa: “As pessoas são apresentadas como personagens, a notícia se torna situação dramática e os acontecimentos viram clímaxs”. Marfuz escreveu os livros Beckett e a implosão da cena (Perspectiva, 2014), Senhora dos Infiéis (Edufba,2015) e Harildo Déda, a matéria dos sonhos (coautor Raimundo Leão) e dirigiu os espetáculos Policarpo Quaresma, Bonitinha mas ordinária e Cuida Bem de mim.

DRAMATURGIA DO ACONTECIMENTO E A MINISSÉRIE DO COTIDIANO
“Está em curso, desde o século passado, um processo de espetacularização da notícia a partir da ideia de que a mídia aciona determinadas estratégias dramáticas para produzir narrativas jornalísticas emocionais, enredar o telespectador e alavancar a audiência”, argumenta Marfuz. Entre estas estratégias, ele destaca a construção de personagens e enredos, a encenação de notícias e as técnicas de atuação de apresentadores e repórteres. Para evidenciar seu argumento, o autor se baseia em exemplos colhidos nos telejornais brasileiros no período de 1996 -  quando a pesquisa foi iniciada – a 2016. Ao final do livro, ele toma como paradigma de análise o noticiário sobre o sequestro perpetrado pelo controverso e midiático personagem Leonardo Pareja, na Bahia, na década de 90, cujo modelo de cobertura continua atual.
Sobre a atualidade do tema, Marfuz pontua: “É difícil pôr um ponto final nesse assunto. Cada vez que eu queria em encerrar o livro, um novo fato espetacular dominava o noticiário, a exemplo das denúncias de corrupção, morte de celebridades, e eu dizia que isso era inesgotável. Na verdade, não importa qual a natureza do acontecimento, se político, social, econômico ou do cotidiano, pois as estratégias dramáticas são similares, utilizadas com menor ou maior intensidade”. Boa parte do livro é fruto do resultado da uma pesquisa que começou em 1996 no Mestrado em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Escola de Comunicação da UFBA.

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