Jornalista lança mapeamento de escritoras negras da Bahia

terça-feira, 27 de junho de 2017

Desenvolvido pela pesquisadora baiana Calila das Mercês, o projeto “Escritoras Negras da Bahia” tem website, oficinas e e-book voltados ao fortalecimento da literatura negra no estado. 
No mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e o Dia Nacional do Escritor, ambos em 25 de julho, ainda é alarmante a ausência de representantes negras em um dos espaços mais importantes de construção social — a literatura. Segundo o estudo “A personagem do romance brasileiro contemporâneo”, da pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), Regina Dalcastagnè, dos autores que publicaram num período de 14 anos, 93,9% eram brancos e 72,7% homens, sendo que 47,3% moravam no Rio de Janeiro e 21,2%, em São Paulo.

Buscando evidenciar a arte de mulheres negras baianas e em reforço à Década Internacional de Afrodescendentes, decretada pela ONU entre 2015 e 2024, a escritora Calila das Mercês, mulher negra, baiana, jornalista e pesquisadora em literatura, lança o projeto “Escritoras Negras da Bahia”. Reunindo o trabalho de poetas, contistas, romancistas e artistas literárias em geral, a iniciativa traz um mapeamento e diagnóstico das escritoras negras da Bahia e dá acesso a grupos minoritários à arte e literatura. 

Com o apoio financeiro do Governo do Estado, por meio do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda, Fundação Cultural e Secretaria de Cultura da Bahia, o projeto contempla três diferentes produtos. O primeiro deles é o website www.escritorasnegras.com.br, que será lançado no dia 7 de julho, trazendo um mapeamento e diagnóstico das escritoras negras da Bahia, com acesso às redes sociais e blogs dos seus trabalhos, além de um perfil com histórico sobre a arte literária e atuações. “A ideia do site é fomentar a produção literária na Bahia, porque quem é da área sabe a dificuldade que é viver de literatura, principalmente para a mulher negra”, explicou Calila. 

Além do site, o “Escritoras Negras da Bahia” promoverá, entre 7 e 20 de julho, um ciclo de oficinas voltadas a mulheres de comunidades afro-indígenas, nas cidades de Alcobaça, Caravelas e Prado (Cumuruxatiba), Extremo Sul da Bahia, e duas palestras – uma na Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Campus de Teixeira de Freitas, e outra no Fórum de Cultura, em Caravelas. Ao todo, serão mobilizadas 180 mulheres para tratar de temas como literatura, cinema, tecnologia e resistência, com as presenças das pesquisadoras Kênia Freitas, doutora em Comunicação e Cultura da UFRJ, e Raquel Galvão, doutoranda em Teoria e História Literária da Unicamp.

O último produto do projeto é um e-book bilingue (Português e Inglês), com textos acadêmico-culturais relacionados à negritude e à autoria negra, perfis de escritoras negras e intervenções artísticas na Bahia. “O diferencial do projeto é o ineditismo e também o alcance que ele terá, não apenas para potencializar uma única escritora, mas para fortalecer um coletivo de mulheres negras que fazem arte literária”, concluiu Calila.

Sobre a pesquisadora - Nascida em 1989, em Conceição do Jacuípe, na Bahia, Calila das Mercês cresceu tendo como referência sua avó, dona Carlinda da Conceição — mulher negra que nasceu em 1922, em São Bento, viveu em região quilombola, no Recôncavo da Bahia, e, posteriormente, em Salvador.
Idealizadora, roteirista e codiretora do curta-metragem "Antônio, o menino que queria ser Castro Alves", recebeu o Prêmio Pesquisa Literária da Fundação Biblioteca Nacional 2015 pela dissertação de mestrado que deu origem ao filme. Pelo projeto “Escritoras Negras da Bahia”, recebeu o prêmio Antonieta de Barros - Jovens Comunicadores Negros e Negras pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Ministério da Justiça e Cidadania. 

Serviço: Palestra "Literatura de autoria negra: resistência e pluralidade da memória"
Quem: Calila das Mercês, doutoranda em Literatura na Universidade de Brasília (UnB)
Dias e locais: dia 07/07, na Universidade do Estado da Bahia em Teixeira de Freitas, às 19h, e 08/07, no Fórum de Cultura de Caravelas, às 18h Inscrição gratuita no link https://goo.gl/rq9q28

Oficina "Escrevivências: resistência e representações na literatura de escritoras negras"
Quem: Calila das Mercês, doutoranda em Literatura na Universidade de Brasília (UnB)
Dias e locais: 09 e 10/07, em Caravelas; 11 e 12/07, em Alcobaça; e 13 e 14/07, em Prado (Cumuruxatiba)
Horário: 9 às 18h Inscrição gratuita no link https://goo.gl/rq9q28

Oficina “Literatura e tecnologia — Mídias e mobilizações em rede”
Quem: Raquel Galvão, doutoranda em Teoria e História Literária da Universidade de Campinas (Unicamp)
Dias e locais: 11 e 12/07, em Caravelas, 13 e 14/07, em Alcobaça, e 17 e 18/07, em Prado (Cumuruxatiba)
Horário: 9 às 18h Inscrição gratuita no link https://goo.gl/rq9q28

Oficina “A magia da mulher negra: poéticas e estéticas das cineastas negras”
Quem: Kênia Freitas,doutora em Comunicação e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Dias e locais: 13 e 14/07, em Caravelas, 17 e 18/07, em Alcobaça, e 19 e 20/07, em Prado (Cumuruxatiba)
Horário: 9 às 18h Inscrição gratuita no link https://goo.gl/rq9q28

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