Campanha estimula prevenção da AIDS e outras DSTs no Carnaval

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O Homem Camisinha, personagem criado pelo Ministério da Saúde especialmente para a campanha de prevenção à AIDS e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), estará no Mercado do Rio Vermelho a partir das 9 horas deste sábado (18) distribuindo camisinhas e panfletos informativos. O objetivo da ação, realizada pela Clínica do Homem, é alertar os frequentadores do local a respeito da importância da prevenção no Carnaval que se aproxima. No domingo, a campanha será replicada nas proximidades do Farol da Barra, onde baianos e turistas serão abordados por mensagens como “Nesse Carnaval, seja consciente: use camisinha” e “Não existe melhor cura que a prevenção”.
De acordo com o urologista Francisco Costa Neto, idealizador da campanha, muitas pessoas, especialmente os jovens, estão deixando de usar o preservativo. “Infelizmente, apesar de alertas como este que estamos fazendo propositalmente pouco antes do início do Carnaval para reforçar a mensagem de que a camisinha evita DSTs e gravidez indesejada, o número de casos de doenças sexualmente transmissíveis tem aumentado. Neste período, o número de pessoas infectadas aumenta exponencialmente”, frisa.
Uma pesquisa recente do Ministério da Saúde mostrou que nove em cada dez jovens de 15 a 19 anos sabem que usar camisinha é o melhor jeito de evitar HIV, mas mesmo assim seis em cada dez não usaram preservativo em alguma relação sexual no último ano. Nem aqueles que estão no início da vida sexual dão a devida atenção para o preservativo. A Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (Pense), publicada pelo IBGE, mostrou que em 2015, 33,8% dos adolescentes entre 13 e 17 anos que já tinham começado sua vida sexual não usaram camisinha na última relação sexual.
Esses números mostram que a falta de preocupação e de informação, além do descuido, persistem quando o assunto é prevenção. Eles também revelam uma visão distorcida de muitos jovens sobre a AIDS. “Os jovens de hoje encaram o vírus HIV como menos perigoso do que antes, certamente por desconhecerem que a AIDS ainda não tem cura e que a doença acarreta uma série de limitações e risco de morte. Não é porque existem os chamados medicamentos antirretrovirais (que não eliminam o HIV, mas ajudam a controlar a infecção e evitar o enfraquecimento do sistema imunológico) que a prevenção pode ser deixada de lado. A AIDS deve continuar sendo temida e evitada, pois é grave e pode matar”, resume o médico.
HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana, causador da AIDS que ataca o sistema imunológico. Há soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença, mas podem transmitir o vírus pelas relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação. 
Outras doenças – Algumas DSTs que também devem preocupar os foliões são a sífilis, a clamídia e a gonorreia – doenças bacterianas muito frequentes que estão ficando resistentes aos antibióticos mais usados contra elas e que infectam cada vez mais pessoas. Essas três doenças juntas contagiam 200 milhões de pessoas por ano – todo ano, são 131 milhões infectadas pela clamídia, 78 milhões pela gonorreia e 5,6 milhões pela sífilis, segundo dados do Ministério da Saúde.
A sífilis é transmitida por meio do contato com feridas de pessoas infectadas – elas podem aparecer nos genitais, no ânus, na boca ou em outras partes do corpo. Quem tem a doença pode desenvolver essas feridas em um estágio inicial, mas elas saram logo e se tornam erupções com pus. No entanto, esses sintomas desaparecem, até que um tempo depois (às vezes até anos), a doença volta à atividade e causa danos ao cérebro, aos olhos e ao coração.
Já a clamídia, a mais comum das DSTs causadas por bactérias, causa um ardor forte ao urinar ou corrimentos genitais – embora a maioria das pessoas não apresente sintomas. A gonorreia, por sua vez, pode provocar, além de dores nos genitais, infecções e muita dor no reto e na garganta.
As três doenças, caso não sejam diagnosticadas e tratadas a tempo, podem causar problemas graves em longo prazo – mesmo que não apresentem sintomas por um tempo. As mulheres, por exemplo, podem desenvolver gravidez ectópica (fora do útero), inflamações na região pélvica e abortos espontâneos. Nos dois sexos, a sífilis, a gonorreia e a clamídia podem causar infertilidade, além de aumentarem o risco da pessoa ser infectada pelo HIV.

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