Exposição Tropicália: Régua e Compasso será aberta hoje no Palacete das Artes

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

​Tom Zé participa da abertura da exposição que foca ambiência anterior ao movimento musical, reunido peças de Lina Bo Bardi, Smetak, Rudzka, Carybé, Juarez Paraíso, Lênio Braga, Jenner Augusto, Verger e acervo de Lia e Silvio Robatto

Como eram os jovens dos anos 1960, na Bahia, antes que o Tropicalismo fosse gerado no sudeste do país? Um viés da efervescente ambiência cultural desta época está sendo reconstituído a partir de peças de acervos museológicos, compondo a exposição Tropicália: Régua e Compasso (A Bahia Cultural Pré-Tropicalista). A mostra será aberta no dia 8 de dezembro, quinta-feira, às 17h, na Sala Contemporânea Mario Cravo Jr, do Palacete das Artes, com bate-papo com o cantor e compositor Tom Zé, um dos ícones da Tropicália. O público tem acesso livre ao evento. 

Até 30 março de 2017, ano de comemoração dos 50 anos da Tropicália, a exposição fica montada para visitação, inspirando ações paralelas do projeto Tropicália: Régua e Compasso, idealizado por Fernanda Tourinho, diretora da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), que realiza o projeto com o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) - ao qual pertence o Palacete das Artes -, e com a Fundação Pedro Calmon (FPC), entidades vinculadas à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA). De acordo com Murilo Ribeiro, diretor do Palacete e curador da mostra, “esta exposição nunca foi tão oportuna para entendermos exatamente o ambiente na Bahia que proporcionou o florescer da Tropicália. Esse ambiente foi muito positivo, sobretudo pela importância do reitor Edgard Santos, da Universidade da Bahia, que, catalizador, trouxe figuras relevantes para a geração desse movimento”. O recorte da mostra reúne informações que servem para o conhecimento das novas gerações, detalha e conclui: “Todos estão convidados a embarcar nessa memória”. 
Vanguarda na Bahia - Uma das presenças na Bahia no período pré Tropicalista, o suíço Walter Smetak  é autor das Plásticas Sonoras, peças consideradas obras de arte por críticos e pesquisadores e que terão um recorte exibido ao público da exposição no Palacete. Instrumentos concebidos pelo “velho mago” foram um sopro de renovação na música da Bahia, influenciando uma geração de músicos e artistas, ao harmonizar referências populares, como cabaças, com elementos eruditos.

Partindo para experimentações sonoras e plásticas, o mestre da Escola de Música defendia ideias como a de que alguns instrumentos poderiam ser criados para domar o ego e unir as pessoas, a exemplo do “Pindorama”, que poderia ser tocado, ao mesmo tempo, por 28 pessoas. Smetak recebeu (in memoriam) a medalha da Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura.

Assim como Walter Smetak, a italiana Lina Bo Bardi integrou o grupo de artistas e intelectuais da vanguarda européia que veio residir na Bahia, no século passado, contribuindo para o dinamismo cultural do estado. Ela se mudou para Salvador no final dos anos 1950, assumindo a direção do Museu de Arte Moderna (MAM). Voltou seu olhar para a cultura do Nordeste brasileiro, iniciando uma coleção com objetos de madeira, utensílios de barro, pilões, imagens do catolicismo e objetos do candomblé.

Lina avaliava cada peça do seu acervo como um produto contemporâneo, uma obra de design, desconsiderando conceitos acadêmicos e europeus. No Palacete das Artes os visitantes conferem ex-votos, lamparinas, objetos de feiras e outras peças do recorte da coleção de 2 mil itens de Lina, que faz parte do acervo permanente do Centro Cultural Solar Ferrão/Dimus, do IPAC, assim como a coleção de Smetak.
 Obras do acervo do MAM/Dimus também estão sendo cedidas para a mostra Tropicália: Régua e Compasso. Peças de Yanka Rudzka, Carybé, Juarez Paraíso, Lênio Braga, Jenner Augusto, Pierre Verger, além de fotos dos acervos de Lia e Silvio Robatto, integram a exposição.
 Pesquisadora e uma das pioneiras da dança contemporânea na Bahia, Lia Robatto doou seu acervo e o de seu marido, o arquiteto, fotógrafo, roteirista e cineasta  Silvio Robatto, para o Centro de Memória da Bahia, unidade a Fundação Pedro Calmon. Peças deste acervo estarão na exposição montada no Palacete, refletindo não somente a linguagem dança e suas interfaces com o  teatro, mas também os costumes, modas, manifestações culturais e populares da época em foco.

Serviço: Tropicália: Régua e Compasso
Abertura da exposição: dia 8 de dezembro, quinta-feira, às 17h. Bate-papo com Tom Zé; visitação da exposição; apresentação de professores e alunos do Laboratório de Música do CFA da Funceb, capitaneados por Letieres Leite; apresentação especial de artistas "smetakeanos" (Tuzé de Abreu, Bárbara Smetak, Uibutú Smetak, Paulo Dourado).
Programação até março, às terças, quartas e quintas-feiras sempre a partir das 17h:
A Sopa de Maria: Terças-feiras : 20/12, 10 e 24/01, 7 e 14/02, 14 e 28/03
Uma Ideia na Cabeça: todas as quarta-feiras até 30/03
Essa Noite se Improvisa: Quintas-feiras: 5 e 19/01, 09/02, 23 e 28/03
Seminário e lançamento de revista: dias 29 e 30/03

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