Conclusōes do Seminário de Logística da TECON

sábado, 5 de novembro de 2016

Investir em gestão eficiente e melhoria contínua dos processos é um caminho para a sustentabilidade corporativa
 Seminário também abordou o potencial crescimento em geração de energia renovável no Brasil, em especial a Bahia

O investimento em gestão eficiente, socialmente responsável, e que gera mais economia e segurança para os negócios, é o caminho para se chegar ao desenvolvimento sustentável no ambiente corporativo. Essa foi a conclusão dos expositores participantes do V Seminário de Logística, promovido pelo Terminal de Contêineres do Porto de Salvador, no dia 27/10, reunindo cerca de 200 pessoas, entre exportadores, armadores, empresários, despachantes, transportadores, gestores públicos e estudantes, além de empresas ligadas à atividade comercial marítima brasileira.  

Atentos às transformações no mundo e à necessidade de criar modelos de gestão que tragam novas soluções, o mercado produtivo investe em melhorias contínuas dos seus processos. Dentro deste cenário, a Basf, que possui três unidades fabris para a produção de acrílico, no Complexo de Camaçari (o maior investimento na história da empresa na América do Sul), acredita que investir em inovação, além de ter uma operação que alie eficiência produtiva a segurança do trabalho traz resultados bastante positivos. “É dessa forma que acreditamos que podemos ser mais competitivos e, ao mesmo tempo, também sustentáveis, entregando nosso produto com excelência, evitando o retrabalho e operações complexas com riscos para o trabalhador ou para o produto”, pontua Erick Guagliononi, gerente de logística da Basf. Em 2015, a empresa investiu R$130 mi no Brasil, tendo 360 colaboradores em todo o mundo dedicados ao planejamento, desenvolvimento e inovação. 

Para se chegar a um modelo eficiente e sustentável é preciso que haja sinergia entre os diversos níveis da cadeia produtiva. Marco GrandChamps, diretor de operações e negócios da DuPont, empresa consultora em segurança e disciplina do trabalho, observa que são as escolhas da gestão a serem adotadas que irão somar para o negócio, sendo importante difundir as metas, engajando a todos em como atingi-las.  Para ele, a visão de sustentabilidade também diz respeito à valorização do colaborador (que está executando as atividades no dia a dia e, portanto, conhece todas as suas variáveis), além de pensar em como otimizar o trabalho e em quais são os pontos sensíveis, entendendo onde as falhas podem ocorrer e assim, se antecipar na busca por soluções, reduzindo perdas e aumentando a produtividade.

O potencial de crescimento da energia renovável no Brasil – Maior mercado de energia elétrica da América Latina, o Brasil caminha rapidamente para o crescimento da capacidade de geração de energia renovável. Entre as matrizes, a eólica e a solar, embora ainda ocupem pouco espaço no setor, comemoram avanços e fazem projeções animadoras para um futuro bem próximo. “A energia solar corresponde hoje a apenas 0,01% da matriz de capacidade instalada no país (eólica 3,5%), porém, proporcionalmente, é a que mais vai crescer nos próximos 10 anos. Isso porque o mercado de geração centralizada é disputado amplamente por todas as fontes (eólica, solar, nuclear etc), mas no mercado da geração distribuída (residencial), a solar leva larga vantagem sobre as demais, com potencial para chegar a cerca de até 3% (atingindo 7 mil GW)”, aponta, Rafael Valverde, membro do conselho da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). No Nordeste, a Bahia se destaca como melhor potencial solar do Brasil, especialmente na margem oeste do Rio São Francisco (e não o semiárido, como a maioria pensa, pois a elevação da temperatura traz prejuízo ao rendimento do painel).  

E quando se fala capacidade de produção de energia eólica, de acordo com Ney Maron, conselheiro da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), a produção eólica no Nordeste se destaca muito, sendo, hoje, o Rio Grande do Norte um estado líder. “Porém, se pensarmos em logística e também em oportunidade de desenvolvimento de uma cadeia local, a Bahia vem se consolidando e trazendo todos os elos dessa cadeia de fabricação, o que é extremamente importante, não só em termos de competitividade, mas também em sustentabilidade num sentido mais amplo”, avalia Maron. Maron ressalta ainda o lado social e sustentável deste negócio poder contribuir com o desenvolvimento de áreas afastadas (semiárido) de outras oportunidades, interagindo com o modo de vida destas pessoas. “Isso é um adicional de coisas boas e muito relevantes”, completa. Este ano, a ABEEólica comemora a marca dos 10GW de capacidade instalada no país, e a Bahia ocupa a segunda posição, com perspectivas de, já nos próximos anos, colocar-se em primeiro lugar.

Presente no Seminário de Logística este ano, a Enel Green Power (principal player de energia solar do Brasil e um dos mais importantes em energia eólica), é um exemplo disto, apostando em um modelo de sustentabilidade que se integre em toda a cadeia produtiva, desde a tecnologia na construção e operação dos empreendimentos, até na relação com as localidades onde atuam. “Trabalhamos para identificar e mitigar os impactos gerados e, inclusive, para detectar oportunidades de crescimento compartilhado com a comunidade, beneficiando cerca de 57 mil pessoas em mais de 20 projetos sociais”, explica Fabrízio Gibin, executivo da Enel. Com cerca de 740 usinas em operação em 16 países (incluindo o Brasil), a EGP está construindo as duas maiores plantas solares da América Latina: Ituverava, na Bahia (254 MW) e Nova Olinda, no Piauí (292 MW). 

O presidente da Companhia de Docas do Estado da Bahia (Codeba) ressaltou a importância do Porto baiano para toda essa cadeia produtiva em expansão. “O Tecon é parte importante para a integração dos diversos segmentos desta cadeia produtiva no Brasil à essa mudança cultural em busca de uma gestão mais sustentável, tendo o modal marítimo como uma opção segura, eficiente e que encurta distâncias”, avalia Dantas.  

Comemorando o sucesso de mais uma edição, Patrícia Iglesias, diretora comercial do Tecon Salvador, fechou a programação do evento ressaltando a alegria de ver, ao final, o resultado de todas as discussões sobre a importância de momentos como este, em que diferentes esferas do mercado debatem modelos de gestão sustentável. “Hoje, a gente viu que sustentabilidade é um processo de melhoria contínua, é respeito com o nosso futuro, é entregar resultados econômico, social e também com segurança”, comentou Iglesias.  

Sobre o Tecon Salvador - Principal porta de entrada e saída de produtos no Nordeste, além de ser um importante equipamento para a geração de renda para o Estado, o terminal baiano, que é administrado pela Wilson Sons, investe em um modelo de gestão ecoeficiente. Um conjunto de ações que vai desde a aquisição de equipamentos elétricos de alta tecnologia (que possibilita diminuir a emissão de CO²) até o gerenciamento de atitudes por parte de seus funcionários possibilitou ao terminal de cargas baiano a aquisição de um novo certificado em 2016, o ISO 14.001, importante regulação internacional elaborada para tratar de Sistemas de Gestão Ambiental, concedida pela Bureau Veritas. A certificação contribui para o aumento da confiabilidade dos clientes, demonstra a transparência e eficiência nas atividades, e ainda, estabelece um processo contínuo de melhorias. Além disso, a Wilson Sons é a maior vencedora da história do prêmio DuPont.

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