Espetáculo O Galo entra em cartaz

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

INSPIRADO EM “NINGUÉM ESCREVE AO CORONEL”, DE GABRIEL GARCIA MARQUES, O ESPETÁCULO, QUE TEM TEXTO DE CLAUDIO LORENZO, ENTRA EM CARTAZ NO DIA PRIMEIRO DE OUTUBRO, NO TEATRO GREGÓRIO DE MATTOS, ÀS 19H E PERMANECE EM CARTAZ DE QUINTA A DOMINGO, DURANTE O MÊS DE OUTUBRO. COM CONCEPÇÃO E DIREÇÃO DE LUIS ALONSO, TRAZ NO ELENCO OS CONSAGRADOS ATORES LUCIO TRANCHESI E CLAUDIA DI MOURA.

Cinco sessões de O Galo estão destinadas à mediação cultural e serão realizadas nos dias 29 e 30 de setembro e 06,13 e 20 de outubro, às 19h, com entrada gratuita. Após a encenação da peça haverá bate-papo com a plateia, com a mediação de Poliana Bucalho. Podem participar escolas, ONGs, instituições culturais e pessoas que se interessem, independente da vinculação a algum grupo. O espetáculo O Galo foi contemplado pelo Edital Arte em Toda Parte - Ano III, da Fundação Gregório de Mattos.

O GALO. O coronel aguarda, há muitos anos, uma pensão como veterano de guerra (...) Agustin, o filho, morre em uma suposta rinha de galos, na verdade ele distribuía panfletos contra a ditadura imperante (...) o corpo dele foi desaparecido, deixando como herança para os pais um galo de briga e com ele se instaura o sonho de que o animal servirá para mudar a vida dos velhos assim que ganhar na próxima rinha, para tanto eles precisam gastar o pouco que tem mantendo assim o animal vivo (...) Um galo, a fome e um filho morto, conformam a herança que é legada a duas pessoas que em situações extremas se debatem constantemente entre a razão e a paixão; entre a necessidade objetiva de subsistir e a memória do ser amado. 

“O Galo”, inspirado na obra Ninguém Escreve ao Coronel, de Gabriel Garcia Marquez e no universo do escritor colombiano, apresenta-se como um signo, mais do que como o próprio animal; pela sua permanência o tempo todo no jogo cênico, na luta do dia a dia, nas ausências, nas desaparições, nas carências, no validar da vida como um jogo de verdades e incertezas, abrindo assim um leque de temas de discussão sobre a sociedade atual, a vida e os nossos governos. - “Quando não conseguirmos mais arranjar milho, teremos que dar nossos fígados para o Galo comer”” É a fala mais contundente da mulher do coronel que mostra o amplo e múltiplo poder desse Galo, que ainda sendo pequeno de estatura, comparado com o tamanho do ser humano, é um animal poderoso, metaforicamente um ladrão, barganhador que leva os mais humildes a ter de doar seus próprios órgãos para lhe oferecer alimento segurando assim a sua raça de poder.

O Galo –em diálogo com o pensamento de Gabriel Garcia Márquez- é um pulsar latino-americano, um protesto aos governos ditatoriais, filhos tortos da nossa América Latina, é um grito contra a burocracia que impera na hora de ressarcir aos mais idosos, é um lamento e um punho fechado contra essa política suja, cruel e manipuladora que tenta isolar e afundar novamente o nosso continente continuando a inverter valores no jogo social, pois eles são os nossos empregados, mas atuam como se fossem os donos daquilo que é de todos.

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