Willian Bonner e Fátima Bernardes separam-se. Porquê?

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Muita gente chocada com a separação anunciada do Willian Bonner e da Fátima Bernardes. O mito do amor romântico ainda molda os sonhos mais profundos até que o tapa na cara da vida, que deveria ser um empurrão para frente, vira pá de cal jogada em nossa alma no fundo do poço. A primeira coisa que devíamos aprender antes de começar qualquer uma relação, emprego, modo de vida etc, é que isto um dia vai terminar. “Ah Jordan, que trágico!” Sim, sim... Seja por desentendimento, uma política nova, uma morte ou uma decisão... Sim: Vai acabar. É a única certeza que temos há séculos e séculos de nossa ativa mente intelectual. E ainda não aprendemos a aproveitar o agora. Viver não é esperar a tempestade passar, é aprender como dançar na chuva. Uma relação de 26 anos e três filhos deu muito certo. Menos de 2% das pessoas que lerão este texto conseguirão ter mais de 25 anos com alguém. Eles deram certo o tempo que a função da relação possibilitou. Podemos dar certo por um dia, um mês, alguns anos ou até que a morte nos leve antes.
Comentários do tipo: “Deus une em definitivo, na hora que casa a gente fala na doença ou na tristeza, em fim promete tudo, e depois separam” (site uol). “Eu não concordo, acho que os casais têm que ser mais tolerantes, até mesmo procurar os erros e corrigi-los” (site terra). “A Fátima dá a impressão de ser um verdadeiro porre...” (globo.com). “Sabia que depois que o Bonner ficou assanhado para o lado da Majú isso ia acontecer” (site folha). Este tipo de reação mostra o quanto precisamos amadurecer emocionalmente para não adoecer por mediocridade e desaviso nesta vida.
As relações afetivas de longo prazo vivem uma Era de extinção. Nosso momento global, cultural, midiático e educacional prega exatamente isto. E isso tem um lado bom e um ruim. O lado bom é que podemos evitar de viver ao lado de uma pessoa apenas pelo símbolo bacana de ter uma família para a sociedade e família ver. Sabe aquele casal juntos há 40, 50 anos que já faz mais da metade do tempo de casados que nem um beijo dão? Que não trocam afeto, carinho, planos emocionais? Pois é... Hoje podemos pular a fogueira que talvez nossos avós não conseguiram.
O lado ruim talvez seja que esta necessidade de rotatividade possa nos mostrar lá na frente que continuamos vazios e possamos nos arrepender. Deixamos passar aquela pessoa que seria o mais perto do amor de nossas vidas. Na verdade, a maioria das pessoas não casa com o grande amor da vida – casa com aquela pessoa que coube na hora certa. Mas podemos pensar o que vale mais: viver 50 anos com uma pessoa tendo apenas curtido 10 anos dos 50? Ou casar com 5 pessoas por 10 anos cada e curtir o máximo de cada uma? Esta conta só cada um pode fazer.
Mas de uma coisa certa eu posso afirmar. Na atual conjectura emocional que vivemos, a inteligência sexual é um dos alicerces mais importantes para sustentar relacionamentos em longo prazo. Se você acha que é o amor, o respeito, os filhos... Volte algumas casinhas no jogo da vida. O sexo é o alicerce da nossa Era. O Bonner e a Fátima devem ter amor, respeito e tem três filhos. Amor não basta para ficar junto. Lembra do que escrevi antes sobre o “amor de nossas vidas”?
Comecei a tentar entender e buscar incessantemente sobre a natureza da permanência matrimonial em contraste com o mito romântico. Como terapeuta eu sei que 90% dos conflitos gerais têm fundo em problemas de sexo, relacionamento, aceitação e exclusão afetiva – seja dos pacientes os de seus antepassados. Eu viajei pelo mundo minha gente, tive contato com a Ásia Oriental, Europa, Leste Europeu, América do Norte e Central, e o que notei é que em todo lugar onde o romantismo entrou, parece existir uma crise do desejo. Uma crise de já se possuir o que se quer, e acho que esta é a primeira vez na história da humanidade que tentamos entender e experimentar a sexualidade por um longo período, não porque queiramos reproduzir dez filhos, e não porque é exclusivamente um dever conjugal da mulher. Esta é a primeira vez que queremos sexo que ao passar do tempo ainda tenha prazer e conexão baseados simplesmente no desejo e fidelidade. E isso tinha tudo a ver com casamentos longos, onde se mantém o desejo. Mas por que é tão difícil mantê-lo ao longo prazo?
De um lado, nossa necessidade de segurança, previsibilidade, proteção, dependência, confiança, permanência, todas essas experiências fundamentadas das nossas vidas que chamamos de lar. Porém temos também uma necessidade igualmente forte, homens e mulheres, por aventura, novidade, mistério, risco, perigo, desconhecido, inesperado, surpresa. Conciliar nossa necessidade por segurança com a nossa necessidade por aventura em um relacionamento, ou o que chamamos hoje de um casamento apaixonante, costumava ser uma contradição. Hoje em dia queremos que nosso parceiro continue a nos dar tudo isso, e, além disso quero que seja meu melhor amigo e meu confidente, meu amante apaixonado - Então nós basicamente pedimos a uma pessoa que nos dê o que antes uma rede inteira de relacionamentos inteiro nos fornecia. Dê-me merecimento, identidade, continuidade, mas também transcendência, mistério e admiração, tudo junto. Dê-me conforto e limite. Dê-me novidade e familiaridade. Dê-me previsibilidade e ao mesmo tempo surpresa. E achamos que acordos, brinquedos eróticos e lingerie irão nos salvar. Não vão.
E assim, o Bonner e a Fátima postam a seguinte mensagem: “Em respeito aos amigos e fãs que conquistamos nos últimos 26 anos, decidimos comunicar que estamos nos separando. Continuamos amigos, admiradores do trabalho um do outro e pais orgulhosos de três jovens incríveis. É tudo o que temos a declarar sobre o assunto. Agradecemos a compreensão, o carinho e o respeito de sempre.”
Pois então... Vamos viver intensamente o que temos, vamos entender que é a nossa possibilidade de ser livre que nos “prende” em um ninho de relação. E não tenhamos medo de desistir quando o eco de sua emoção não mais voltar. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante: Quem quer errar, erra. Quem quer ganhar, ganha. Quem quer trair, trai. Quem quer ir, vai logo. Quem quer amar, não desiste. Porém... Quem ainda não sabe o que quer, inventa tolas desculpas. E acaba ferindo de mais. Cansando o amor. Dando um belo tiro no pé. Amemos e por favor - não opinemos numa relação que não foi nossa.
Por Jordan Campos - Terapeuta clínico.

Sobre Jordan Campos - Jordan van der Zeijden Campos, natural de Salvador, é terapeuta transpessoal sistêmico clínico (TTS), iridólogo, músico, escritor, poeta, conferencista, pesquisador autodidata e amante de gente. De linha espiritualista, mescla conhecimentos e práticas em psicologia transpessoal, biopsicossomática, (re)programação neurolinguística e o incrível universo da íris humana no conjunto de entendimento e libertação do Ser Humano vivente neste século. Presidente do projeto Farmácia da Alma e diretor da Intercessio Consultoria Transpessoal.
www.jordancampos.com.br Instagram @jordanzcampos

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