Restaurador José Dirson Argolo, o novo cidadão de Salvador

sábado, 27 de agosto de 2016

O Plenário Cosme de Farias da Câmara Municipal de Salvador, ficou completamente lotado, e com muita gente de pé, para prestigiar o restaurador e professor da Escola de Belas Artes da UFBA, José Dirson Argolo, que recebeu o Título de Cidadão de Salvador das mãos do vereador Paulo Câmara, autor da homenagem e presidente da Casa, na noite  chuvosa duma sexta-feira (ontem), o que demonstra o quanto o homenageado é querido.

Compuseram a mesa de honra, além do vereador Paulo Câmara e do homenageado, o ex-secretário estadual de Cultura, e hoje presidente do Salvador Destination, Paulo Gaudenzi; o historiador Francisco Soares Senna; o artista plástico e ex-diretor da Escola de Belas Artes da Ufba, Juarez Paraíso; o sócio do Studio Argolo, Waldemar Silvestre;  a professora e artista plástica Virgínia Gordílio Martines e a diretora da Escola de Belas Artes, Nanci Novaes. 

“Esta é um noite de festa e de paixão!” Assim o presidente Paulo Câmara iniciou sua fala.
“A Câmara abre suas portas com muita justiça, tendo a honra de conceder o Título de Cidadão do Salvador a uma personalidade que já se tornou seu filho há muito tempo”disse. Citou ainda os principais feitos do seu rico currículo, principais obras e monumentos restaurados pelo homenageado, hoje o nome mais admirado e conhecido no mundo da restauração, não só na Bahia, como no Brasil.
   
Após a fala do presidente, José Dirson Argolo recebeu o Título de Cidadão da Cidade do Salvador das mãos da designer Goya Lopes, da restauradora Cláudia Barbosa e do sobrinho, Milton Barreto Júnior.

O homenageado em seu discurso de agradecimento, disse: “São 40 anos de dedicação ao patrimônio da cidade, que eu era um filho adotivo. Agora tenho o enorme prazer de me tornar seu filho legítimo. Estou muito emocionado, mas também feliz e orgulhoso, porque eu sou um eterno apaixonado pela cidade”.
Natural de Jaguaquara, no Centro-Sul da Bahia, José Dirson Argolo chegou a Salvador aos 17 anos. Orgulha-se ao apontar seu primeiro grande trabalho, realizado na Câmara de Salvador. “Tenho um enorme prazer de a minha primeira grande obra ter sido no Plenário desta Câmara, em 1980;  e em 1998,  restaurar todo o acervo de pinturas que hoje compõe o Memorial da Câmara. Todas elas passaram por minhas mãos e da minha equipe. Eu me sinto muito feliz e orgulhoso”, 

José Dirson Argolo ingressou na Escola de Belas Artes, de onde saiu graduado em 1976. Foi selecionado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil para especializar-se em Conservação e Restauração de Obras de Arte, na Università Internazionale Dell’Arte, em Florença, na Itália. Após retornar para a Bahia, em 1983, criou o Estúdio Argolo, passando a treinar alunos oriundos da Escola de Belas Artes. 
Na capital baiana, acumula trabalhos de restauração no Palácio Rio Branco, na Igreja de São Raimundo, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e Museu de Arte da Bahia, no Palacete Catharino, na Igreja da Piedade e na Casa de Oração dos Jesuítas.
A partir do trabalho desenvolvido em Salvador, foi chamado para restaurações no Teatro Municipal de São Paulo e na Associação Comercial de Maceió.
Ao final de sua fala, José Dirson num gesto magnânimo, anuncia a doação à Câmara, de uma obra em cerâmica vitrificada e policromada representando “Thomé de Souza”, de Carybé, que lha havia sido doada por ele, para restauração.
A sessão especial foi encerrada com Hino ao Senhor do Bonfim, executado pelo músico Tadeu Cardoso. Após o encerramento, José Dirson recebeu os cumprimentos no Centro Cultural da Câmara durante um lauto coquetel, ambientado musicalmente por Tadeu Cardoso e equipe.
Crédito: Valdemiro Lopes

2 comentários:

José Dirson Argolo disse...

Quanta honraria para um simples profissional da área de restauro, que exerce esta profissão há quase 40 anos, por amor as artes e a memória cultural da Bahia e do Brasil. Sou um operário das artes, que como um médico, tenta salvar muitas obras que chegam ao meu atelier em "estado terminal" muitas vezes. O sentimento de vê-las renascer e recuperar seu brilho e sua leitura originais, é o mesmo de um médico que salva um paciente com um quadro grave de saúde. Para mim a noite de sexta ficará registrada em minha memória, como um dos momentos mais felizes de minha vida. Muito grato a equipe do salvadoracontece, por esse relato de minha vida. Estou comovido.

José Dirson Argolo disse...

Quanta honraria para um simples profissional da área de restauro, que exerce esta profissão há quase 40 anos, por amor as artes e a memória cultural da Bahia e do Brasil. Sou um operário das artes, que como um médico, tenta salvar muitas obras que chegam ao meu atelier em "estado terminal" muitas vezes. O sentimento de vê-las renascer e recuperar seu brilho e sua leitura originais, é o mesmo de um médico que salva um paciente com um quadro grave de saúde. Para mim a noite de sexta ficará registrada em minha memória, como um dos momentos mais felizes de minha vida. Muito grato a equipe do salvadoracontece, por esse relato de minha vida. Estou comovido.

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