Luis Nicolau Parés lança livro sobre religião dos escravos

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Luis Nicolau Parés, Professor do Programa de Pós Graduação em Antropologia da UFBA, lançou ontem o seu mais novo livro: O REI, O PAI E A MORTE - A religião vodum na antiga Costa dos Escravos na África Ocidental, no Espaço Cultural da Barroquinha.
Permeando a sessão de autógrafos, aconteceu um batepapo com os presentes, mediado por Carlos da Silva Júnior, onde o autor falou dos costumes dos escravos na África, nomeadamente a Namíbia e golfo do Benin. A obra editada pela Companhia das Letras, tem prefácio do embaixador Alberto da Costa e Silva e o lançamento foi da Livraria LDM.

Este livro examina as práticas religiosas na antiga Costa dos Escravos, na África Ocidental, correspondente à extensão onde hoje está a República do Benim. Nesse pequeno trecho de litoral, embarcou-se parte significativa dos africanos que chegaram escravizados ao Brasil, em particular à Bahia. A obra privilegia os dois séculos que vão de 1650 a 1850, quando o tráfico transatlântico de escravos foi mais intenso. Os principais reinos que dominaram a região nessa época foram Aladá, depois Uidá, e a partir da década de 1720, Daomé. Em razão das várias línguas faladas nessas sociedades, os deuses eram chamados de diversas formas, mas o termo mais comum era, e ainda é, vodum. Assim, o livro analisa o dinamismo e a historicidade da prática associada aos voduns, destacando sua imbricação com a vida política e econômica desses reinos. Em função da ligação histórica do Brasil com o lugar, a última parte da obra aborda questões relativas às repercussões que esses costumes tiveram na Bahia e no Maranhão.

As formas de religiosidade desenvolvidas no período do tráfico de escravos constituíram um dos principais motores para a recriação dos rituais afro-atlânticos. No entanto, além de um simples movimento unidirecional da África para o Brasil, as forças da economia do tráfico afetaram de forma dramática as práticas religiosas em ambos os lados do Atlântico. O sistema escravagista, marcado por assimetrias de poder extremas, violência, racialização, instabilidade social e migrações generalizadas, intensificou uma forma ritualística baseada na troca sacrificial, na hierarquização, na possessão e no imaginário da feitiçaria.

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