Baiano abre a Bienal de Música Contemporânea Brasileira

sábado, 3 de outubro de 2015

Composição de Paulo Costa Lima abre a XXII Bienal de Música Contemporânea Brasileira 
Abertura acontecerá no dia 10 de outubro no Theatro Municipal do Rio de Janeiro

O compositor baiano Paulo Costa Lima, da Escola de Música da Universidade Federal da Bahia, terá uma de suas peças musicais apresentada no dia 10 de outubro, na abertura solene da XXII Bienal de Música Contemporânea Brasileira, que acontecerá no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. A composição inedita, intitulada Caboclo 7 Flechas: Um Batuque Concertante OP. 102 , será interpretada pelo solista Aleyson Scopel (piano), acompanhado pela orquestra Neojibá, sob regência do maestro Eduardo Torres.  

Segundo o compositor, Caboclo 7 Flechas celebra a riqueza das construções culturais do contexto dos caboclos, não apenas a entidade religiosa dos candomblés, mas também a entidade cívica que simboliza a vitória baiana sobre as tropas portuguesas no dia 2 de julho de 1823, nas lutas pela Independência do Brasil.  “A composicao tem esse nome porque é baseada na melodia de uma flecha sendo atirada. A estrutura da peça pega esses detalhes e amplifica”, explica Costa Lima.

Várias construções melódicas desse contexto são visitadas, e uma delas, a do caboclo sete flechas ("Ele atirou, ele atirou ninguém viu, só sete flechas que sabe, aonde a flecha caiu") acaba sendo utilizada como semente que da origem a estruturas rítmico-melódico-harmônicas utilizadas no Batuque Concertante. “Chama-se batuque porque há uma grande ênfase em gestos rítmicos, o piano sendo muitas vezes tratado como percussão, que deveras é”, afirma o músico.

Compositor profícuo, professor da Universidade Federal da Bahia e de reconhecido talento nos meios acadêmicos e artísticos, Paulo Costa Lima tem como marca registrada a busca pela aproximação do erudito com o popular.  Essas características levaram o seu nome a ser indicado, junto ao de Ronaldo Miranda, como tema do III Festival de Música Contemporânea Brasileira (FMCB), que será realizado em março de 2016, na Unicamp.  No primeiro semestre, Paulo Lima viu outra obra sua inédita, Cabinda, nós somos pretos, ser executada na sala São Paulo pela Osesp, sob a regência da maestrina Marin Aslop e aclamada pelo público e crítica.  

A Bienal
A XXI Bienal de Música Brasileira Contemporânea vai apresentar 66 obras selecionadas por Edital e por um colegiado especializado, todas inéditas, com o intuito de refletir a produção da música “erudita” contemporânea, com a presença de orquestras, coros, intérpretes solos e conjuntos variados de música eletroacústica. A abertura da Bienal ficará sob a responsabilidade da Orquestra Juvenil da Bahia (Neoijibá), reforçando o papel da bienal de instância de consagração cultural para jovens artistas.

Além dessas apresentações, a Bienal terá uma série de atividades especiais lembrando os 70 anos da morte de Mário de Andrade e os 100 anos de nascimento do maestro Hans-Joachim Koellreutter. Nestas atividades especiais, haverá o relançamento do álbum Mário 300-350, originalmente lançado em 1983, pela Funarte, com show ao vivo do Coletivo Chama; o relançamento da revista de vanguarda Música Viva, dos anos 1940, que reuniu nomes como o próprio Koellreutter, além de Claudio Santoro, Luiz Heitor, Guerra Peixe, entre outros; o seminário Música e Política, com participação dos professores Jorge Coli, Flavia Tony e Carlos Kater. Uma coincidência emblemática: 2015 assinala os 70 anos de falecimento de Mário de Andrade e o centenário de nascimento de Koellreutter.

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