Teatro na Barroquinha

terça-feira, 29 de setembro de 2015

“FLORESTA DEBAIXO DO MAR” ESTREIA NO ESPAÇO CULTURAL DA BARROQUINHA
Texto da dramaturga grega Christina Kyriazidi traz para o palco realismo fantástico e atmosfera noir, com direção de Paula Lice

Suposições sobre a motivação da morte do lendário ator francês Patrick Dewaere. Esta é a matéria-prima da peça Floresta debaixo do mar, da dramaturga grega Christina Kyriazidi, que será levada ao palco do Espaço Cultural da Barroquinha (Praça Castro Alves, s/n, Centro), a partir de 1° de outubro, às 19h. A montagem inédita, realizada através do Prêmio FUNARTE de Teatro Myriam Muniz 2014, é parceria da autora com o ator Leonel Henckes e tem direção de Paula Lice. Os ingressos custarão R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia entrada).

Por que Patrick Dewaere se matou? “Meu primeiro impulso para escrever esta peça foi a história deste ator morto. Por que ele se matou aos 35 anos? O texto sugere que aconteceu por conta de uma traição, de um triângulo amoroso”, explica a autora, que mergulhou no universo dos filmes e da vida de Dewaere, morto em 1982, a fim de arriscar uma resposta de cunho ficcional. É a história de amor de Christina pelo ator suicida, criada entre túmulos e encontros fortuitos com a viúva dele em filas de teatro. Esses elementos autobiográficos, sutilmente revelados, dão um sabor especial à história contada no palco, segundo Paula Lice. “Um jogo de espelhamento entre os personagens aposta em uma versão da história de Dewaere e preenche com poesia os buracos que nunca serão revelados”, comenta a diretora.

Em cena, Ella (Christina Kyriazidi), uma jovem aspirante a escritora, consegue um encontro informal com o aclamado e atormentado escritor Manu Singer (Leonel Henckes), autor de um único livro de sucesso, Floresta Debaixo do Mar. A atmosfera sombria dos filmes noir, com pitadas de realismo fantástico, dá força a esse encontro atordoante. A intimidade entre os dois se estabelece como um elefante no meio da sala de estar, deixando escapar as reais intenções da jovem. “Os diálogos trazem algumas angústias que são próprias do processo criativo de um escritor em busca de conhecer seus personagens e construir uma história. É sempre um jogo de invenção e memória. E, em alguns casos, um texto ficcional pode revelar mais sobre um acontecimento do que a própria memória”, explica Leonel.

Nesta salada grega preparada a dois, misturam-se referências estilísticas do cinema e dosteampunk, solos de acordeon, canções gregas de rituais fúnebres, citações em francês e inglês, poesia preenchendo espaços, silêncios contando histórias. Na trilha sonora, soam canções saídas do piano de Dewaere, mas também a trilha original composta por Andréa Martins e Ronei Jorge. As luzes acentuam a atmosfera noir, referência visual da montagem, trazendo para dentro da peça a cidade estrangeira fora das janelas. “O sentimento do estrangeiro é comum aos personagens e a quem se sente inadequado, forasteiro”, completa Paula.

A temporada fica em cartaz de 1° a 18 de outubro, de quinta a domingo, às 19h. Uma ação de formação de público levará alunos de escolas públicas para sessões especiais às sextas, às 16h.
  
Serviço:
Título: Floresta debaixo do mar
Autora: Christina Kyriazidi Elenco: Christina Kyriazidi e Leonel Henckes Direção: Paula Lice
Local: Espaço Cultural da Barroquinha (Endereço: Praça Castro Alves, sem número, Centro) 
Período: 1° a 18 de outubro, de quinta a domingo Horário: 19h
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia entrada) Informações: (71) 3202.7880

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