IV Seminário Internacional A Educação Medicalizada

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Salvador recebe Seminário Internacional sobre o problema da educação medicalizada
Na Bahia, em cinco anos, a venda de medicamento para Déficit de Atenção e Hiperatividade cresceu mais de 3.000%. Seminário gratuito, de 01 a 04 de setembro, terá a participação de aproximadamente mil pessoas

Para avançar no alerta e combate ao problema da medicalização da educação e da sociedade, Salvador recebe o IV Seminário Internacional "A Educação Medicalizada”. O evento gratuito acontece de 01 a 04 de setembro, e terá a participação de conceituados pesquisadores dos Estados Unidos, Portugal, Itália e de várias regiões do Brasil. As atividades ocorrerão no auditório da Faculdade de Tecnologia SENAI CIMATEC, localizado na Avenida Orlando Gomes, 1845, em Piatã. A expectativa é que o Seminário tenha a presença de aproximadamente mil pessoas. O público alvo são pesquisadores, professores, profissionais e estudantes de diversas áreas da saúde e educação, como psicólogos, pedagogos, médicos, psiquiatras, fonoaudiólogos, entre outros.

Segundo os organizadores do evento, desde o I Seminário Internacional, acontecido em 2010, é feito o alerta sobre o problema da medicalização da educação e da sociedade. Após avançar na discussão, conseguir sensibilizar e dar visibilidade a questão na mídia, agora é o momento de popularizar o debate, expandindo-o aos movimentos sociais e a população em geral. Para especialistas da área, o termo medicalização é o processo equivocado de tentar desviar para o campo médico as causas e soluções para problemas, geralmente, de origem social e política. Um exemplo é o recorrente diagnóstico de alunos com Dislexia ou Hiperatividade.

Durante o IV Seminário, entre outros assuntos, serão debatidos o uso indiscriminado de medicamentos e a dependência química, a exemplo da dependência ao calmante Clonazepam (Rivotril). O Brasil é o maior consumidor da citada droga no mundo. Para repercutir sobre essas questões, um dos convidados será o professor da Universidade de Columbia (USA), Carl Hart. O pesquisador foi nomeado pela Fast Company como uma das pessoas mais criativas de 2014. Também é o atual vencedor do PEN / E.O Wilson - Prêmio Literário de Ciência Escrita, com a obra “Um preço muito alto: a jornada de um neurocientista que desafia nossa visão sobre as drogas”.

A pesquisadora da UFBA e uma das organizadoras do Seminário, Lygia Viégas, ressalta que outro momento importante será a presença da Presidente da Federação Nacional dos Farmacêuticos (FENAFAR), Célia Chaves. Doutora em farmacologia pela USP, Célia se une ao Fórum sobre Medicalização para discutir a elaboração de um protocolo de uso racional de medicamentos controlados. Segundo Lygia, um exemplo de remédio utilizado de maneira indiscriminada e abusiva é o Metilfenidato (Ritalina), recomendado por vários profissionais da área da saúde para o tratamento, de maneira equivocada, do Transtorno de Déficit de Hiperatividade e Atenção (TDAH). “Temos muita preocupação com essa questão relacionada à educação. Sem o critério necessário crianças em idade escolar, com dificuldade de escolarização, invés de receberem acompanhamento educacional adequado, são tratadas como doentes”, ressalta Lygia.

Dados do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC) revelam a gravidade do problema da venda descontrolada de Metilfenidato no Brasil. Só no Estado da Bahia, houve um salto de mais de 3.000%, passando das 433 caixas vendidas no primeiro semestre de 2009, para as 15.102 caixas no primeiro semestre em 2014. O mesmo SNGPC mostra que em todo território nacional, em outubro de 2009, foram vendidos 58.719 caixas. Quatro anos depois, em outubro de 2013, a comercialização aumentou para 108.609 caixas, o que representa um salto de 180%.

Para aquecer o debate, o IV Seminário Internacional também terá como atividades pré-seminário a realização de quatro mini-cursos: “Álcool e outras Drogas: usos, políticas e garantia de direitos dos usuários”; “Orientação à Queixa Escolar”; “Pesquisa e Política Pública: articulações possíveis?”; e “Linguagem Escrita: os efeitos dos diagnósticos da Desordem do Processamento Auditivo (DPAC) e da Dislexia”. Mais informações: http://seminario4.medicalizacao.org.br/pre-evento-minicursos/

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