Mostra “Bahia é África Também” no Palacete

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Pela primeira vez, desde doação ao IPAC, a Coleção Claudio Masella, do Acervo Permanente do Solar Ferrão, tem recorte mostrado em outro espaço. Iniciativa integra projeto #MusEuCurtoArte, da FUNCEB e IPAC

Tronos, máscaras de rituais, estatuetas, esculturas, instrumentos musicais e utensílios da Coleção Claudio Masella, do Acervo Permanente do Centro Cultural Solar Ferrão, poderão ser vistos pelo público no Palacete das Artes, onde a exposição Bahia é África Também fica montada de 4 de agosto a 25 de outubro. Depois da doação para o Instituto do Patrimônio Artístico Cultural – IPAC, é a primeira vez que uma parte do acervo migra temporariamente para outro espaço, salvaguardado pelo Instituto, gerando expectativa de diversificação de público.

A curadoria da mostra é de Murilo Ribeiro, diretor do Palacete das Artes, e de Ana Liberato, diretora dos Museus do IPAC – Dimus, ao qual pertence o Solar Ferrão. 

Na programação de abertura, desenvolvida pela Coordenação de Artes Visuais da FUNCEB para a campanha Museu Eu Curto Arte, o público vai conferir performances do bailarino Clyde Morgan, a participação do Cortejo Afro, a exibição de vídeo que inclui entrevista com Pierre Verger, além de apresentações de alunos do curso técnico em dança da Escola de Dança da Fundação. Após a abertura, a programação continua até o encerramento da mostra, com exibições de filmes, palestras e mesas redondas ligadas ao tema central.

MÚLTIPLOS DIÁLOGOS - O diretor do IPAC, João Carlos Oliveira, acredita que as parcerias firmadas entre secretarias e museus para promover esta exposição, dentro do projeto MUSEUEUCURTOARTE, é uma experiência transversal, assim como foi a vida de Claudio Masella. “Esse lema transverso marca a gestão mais contemporânea que o IPAC quer promover nos seus museus. Por isso, o esforço para que eles dialoguem entre si e suas coleções, troquem mais expertises e tecnologias, dinamizem com parcerias público-privadas, promovam projetos contemporâneos e em redes colaborativas, ativando esses espaços públicos, provocando maior visitação e a plena apropriação desses equipamentos por parte da população”.

“Diálogo entre continentes, diálogo entre linguagens de arte, diálogo entre espaços culturais, diálogo entre público e processos criativos. Uma troca que alimenta e faz crescer quem dela participa”, argumenta Fernanda Tourinho, diretora da Fundação Cultural do estado da Bahia - FUNCEB. Ela explica que este é o conceito de mediação artística que o Centro de Formação em Artes, da FUNCEB, vem trabalhando para o novo conceito de museu que o IPAC apresenta: “Um museu vivo, dinâmico, para todo mundo curtir!”.

A coleção Claudio Masella, pertencente ao acervo do Solar Ferrão (Dimus) é composta por mais de 1000 peças. No Palacete estarão cerca de 100 obras, que caracterizam a riqueza e a diversidade da produção cultural africana do século XX, expressada em objetos, sobretudo máscaras, escultura de diversas etnias e localidades da África. “O potencial histórico documental e educativo desta coleção permite subsidiar pesquisas no campo das artes, história social, econômica e cultural dos povos africanos, assim como a realização de ações socioculturais e educativas de caráter afirmativo”, destaca a diretora da Dimus, museóloga Ana Liberato.

ELO COM A ÁFRICA - A cultura africana começou a chegar ao Brasil pelo mar, com a vinda forçada de escravos, e, ao longo dos séculos, o conhecimento de vários povos do continente criou raízes profundas na cidade que se cristalizou como a morada da maior população da Diáspora Negra. Por esta intensa identidade com ancestrais, Salvador, da Bahia, foi escolhida pelo industrial italiano Claudio Masella como guardiã de sua coleção de peças da África.

O COLECIONADOR - O industrial italiano Claudio Masella nasceu em Roma, em 02 de agosto de 1935, e faleceu em 21 de fevereiro de 2007. Durante 35 anos morou na Nigéria e no Senegal, onde montou fábricas de móveis.   A paixão pelas artes e pelas tradições africanas o fez colecionador, quando começou a coletar peças representativas de grupos étnicos localizados em 15 países da África. Casado com a pernambucana Conceição Ramos Masella, em viagem ao Brasil, conheceu a cidade de Salvador e se encantou com a presença do legado africano em nossa cultura. Tal fato foi decisivo para que no ano de 2004, doasse sua coleção ao Governo do Estado da Bahia, com o desejo de que as peças permanecessem nesta Cidade em exposição ao público.

A COLEÇÃO DE ARTE AFRICANA CLAUDIO MASELLA é composta por mais de 1.000 peças, datadas do século XX, representativas da diversidade cultural de grupos étnicos, localizados em 15 países africanos, a exemplo da Nigéria, Benin, República dos Camarões, Burkina Faso, Gana, Costa do Marfim, Libéria, entre outros. São máscaras, estatuetas, instrumentos musicais e utensílios em madeira, metal, terracota e marfim, confeccionados em diferentes técnicas. A Coleção, doada ao governo do Estado em 2004, encontra-se sob a responsabilidade da Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural – Dimus / IPAC, e integra o conjunto de coleções que compõem o Centro Cultural Solar Ferrão.
   
SERVIÇO Exposição Bahia é África Também Onde: Palacete das Artes
Quando: abertura dia 4 de agosto, terça-feira, às 19h Visitação: de 5 de agosto a 25 de outubro
Terça a sexta, das 13h às 19h. Sábado, domingo e feriado, das 14h às 19h Ingresso: Grátis

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