Pare de Fumar!

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Especialista faz palestra sobre DPOC e adverte para a importância de parar de fumar

 Cerca de 7 milhões de brasileiros são portadores da DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), segundo estimativa do Ministério da Saúde. E o pior: grande parte não é diagnosticada ou não recebe tratamento. Na Bahia, a doença atinge aproximadamente 320 mil pessoas. No Brasil, anualmente cerca de 40 mil pessoas morrem em consequência da DPOC, o que corresponde a quatro pessoas por hora. Tosse e pigarro, sintomas minimizados por serem considerados comuns para quem fuma, geralmente são os primeiros sinais da doença que em 80% dos casos é desencadeada pelo cigarro. “Como as manifestações pulmonares nos portadores da doença se instalam de forma lenta e silenciosa, muitas vezes os pacientes só se dão conta num estágio mais avançado”, explica o pneumologista Guilhardo Fontes Ribeiro. A doença é diagnosticada através de um exame chamado espirometria, que avalia a capacidade pulmonar, identifica a doença e a sua gravidade.
Em homenagem ao Dia Mundial de Combate à DPOC, na próxima quinta-feira, dia 13, o Hospital Santa Izabel promove a palestra sobre a fisiopatologia e o tratamento da DPOC, às 19 horas, no Auditório Jorge Figueira. O evento é dirigido a médicos, estudantes de medicina, portadores da DPOC, familiares e cuidadores interessados em entender melhor a patologia. A palestra será ministrada pelo pneumologista Guilhardo Ribeiro Fontes As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo telefone (71) 2203-8367, de segunda à sexta, das 7 às 14 h, ou pelo e-mail pneumohsi@santacasaba.org.br .  As vagas são limitadas. O evento tem apoio da Santa Casa de Misericórdia e da Associação Bahiana dos Portadores de DPOC.
Cansaço, tosse com expectoração, falta de ar, dores no corpo, dificuldade para caminhar, subir uma escada e, em casos mais avançados, até para movimentos mais simples são alguns dos sintomas da doença ainda desconhecida e subestimada pela população. A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), antigamente chamada de Bronquite Crônica e Enfisema Pulmonar, representa um sério problema de saúde pública com grave impacto econômico e social.
Doença inflamatória sistêmica e crônica dos pulmões, a DPOC acomete, geralmente, pessoas com mais de 40 anos de idade e é caracterizada por uma obstrução ou limitação crônica do fluxo do ar pelas vias respiratórias, que prejudica a respiração normal e compromete a capacidade respiratória. A maioria das pessoas acometidas pela doença apresenta tanto as características da bronquite crônica quanto as do enfisema pulmonar. O tabagismo, a poluição do ar, a fumaça do forno a lenha e a exposição durante muitos anos a gases industriais estão entre os principais fatores responsáveis pelo desenvolvimento da doença, que causa danos que podem ser permanentes nas vias respiratórias. O fumo contém substâncias irritantes que inflamam as vias respiratórias e causam alterações que podem levar à doença obstrutiva crônica. Evitar o cigarro é a melhor forma de prevenção da DPOC. Segundo Guilhardo Fontes Ribeiro, parar de fumar é uma das medidas principais que devem ser adotadas ao iniciar o tratamento, mas para grande parte dos pacientes é muito difícil largar o cigarro. “O tratamento humanizado, multidisciplinar e individualizado é fundamental para o paciente portador da DPOC”, destaca o médico.
O especialista também alerta para a subnotificação da doença: “fumantes passivos assim como mulheres que usam fogão a lenha e, habitualmente, moram em comunidades carentes ou em cidades do interior, muitas vezes, não são avaliados devidamente”.
Muitas vezes, os sintomas são pouco valorizados pelos próprios pacientes. “O paciente acometido pela DPOC tende a atribuir sua falta de ar nas atividades que exigem algum esforço à idade ou a falta de condicionamento físico. A tosse seca e o pigarro também não são levados a sério, muitas vezes são encarados como uma consequência natural do cigarro e não um aviso de instalação de uma grave doença,” esclarece o especialista.

Pelo seu caráter sistêmico, a doença pode envolver múltiplos órgãos. “A DPOC não acomete exclusivamente o pulmão, pois a inflamação que se inicia no pulmão, principalmente em resposta a fumaça do cigarro, envolve vários outros órgãos. Tanto que as principais causas de morte em DPOC são as doenças cardíacas e cerebrovasculares, a embolia pulmonar e pneumonias”, explica Guilhardo Fontes.
A realidade é que a maioria destes pacientes são avaliados e medicados nos centros de emergência ou tratados durante os internamentos e não dão continuidade ao tratamento ambulatorial, pois os poucos ambulatórios disponíveis especializados em DPOC não dispõem das opções terapêuticas necessárias para tratar os pacientes do modo integral, que a complexidade da doença exige. “É necessário aumentar a quantidade de profissionais (médicos, enfermeiras fisioterapeutas, nutricionistasna rede pública, além do que, o número de espirômetros (aparelho que avalia a função pulmonar) disponíveis na rede SUS, são insuficientes, o que inviabiliza o diagnóstico precoce e avaliação do nível de gravidade da enfermidade,” comenta.

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