Livro sobre Gilberto Gil

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Ensaísta Cássia Lopes lança o livro 
“Gilberto Gil: a poética e a política do corpo”

“Gilberto Gil: a poética e a política do corpo” dá nome ao mais novo livro da ensaísta, cronista e professora do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas e Programa de Pós-Graduação em Letras, Cássia Lopes. A publicação será lançada nesta sexta-feira, dia 25 de maio, às 19h, no ICBA Goeth Institut (Av. Sete de Setembro nº1809 Corredor da Vitória) e é aberta o público. A obra é um lançamento da Editora Perspectiva e do Programa de Pós- Graduação em Artes Cênicas.

O livro Gilberto Gil: a poética e a política do corpo nasce da vontade de refletir sobre os modos de pensar o tecido social e artístico brasileiro, de identificar o que levou este compositor a abraçar o papel de intérprete não só de suas canções, mas também da formação do Brasil e, mais diretamente, da Bahia. A obra de Cássia Lopes figura como uma reflexão sobre a construção de identidade e poéticas musicais, por meio da imagem de
um dos mais importantes e reconhecidos compositores de nosso tempo: Gilberto Gil. Um trabalho que, nas palavras da renomada autora Eneida Maria de Souza, “reúne experiência acadêmica, sensibilidade analítica e compromisso político”.

Cássia Lopes faz parte do corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas (PPGAC) e do Programa de Pós-Graduação em Literatura e Cultura (PPGLL) da UFBA. É autora dos livros "Um olhar na neblina: um encontro com Jorge Luis Borges", 1999 e "Rumor das Horas", 2009.



Um pouco de Gilberto Gil: a poética e a política do corpo

LOPES, CÁSSIA. Gilberto Gil: a poética e a política do corpo. São Paulo: Perspectiva, 2012; 368p. (Coleção Estudos- 286)

POR QUE GILBERTO GIL?
               
É raro um artista que traga tantas possibilidades de pensar e entender a política do corpo como Gilberto Gil. A poética e a política corporal deste artista implicam acompanhar a vertigem de um nome e, paradoxalmente, a exacerbação e a estratégia de seu uso. As transformações que se operam na história brasileira e na obra deste músico são sentidas e não param de se efetuar, contudo não podemos prescindir do nome e dos sobrenomes, porque eles aparecem como manobra para articular a singularidade de uma vida, de um pensamento, de uma memória, de certas atitudes e realizações tomadas, conforme as escolhas no campo ético e afetivo, diante da pólis e do outro. Tudo isso caracteriza um corpo ativo, inacabado, refazendo-se nas bordas do tempo, de suas canções e de sua política.
Evidentemente, pode-se reivindicar a atenção e a importância atribuídas à política do corpo a outros artistas brasileiros, como se fez com Caetano Veloso. A passagem dos anos, entretanto, marcou as diferenças. Se o tropicalista de Alegria, alegria enredou-se, em um instante de sua escrita biográfica, pela seara do estilo ensaístico em Verdade tropical; se Chico Buarque – cuja importância política das canções é comprovada – descobriu-se no tecido da linguagem literária em Estorvo e Budapeste, foi Gilberto Gil quem transitou para o terreno da política institucional. Nesse caso, a fronteira entre a poética e a política do corpo é habilmente exercida e marcadora de um traço diferencial deste artista no seu tempo e no Brasil.     
Situar Gilberto Gil revela-se uma maneira de ler a formação da sociedade brasileira, de evocar nomes da tradição musical e literária, desde Dorival Caymmi, passando por Luiz Gonzaga, até os rastros deixados pelo Grande Sertão de Guimarães Rosa, na vereda da reescrita de si mesmo e de um projeto político brasileiro. É importante sublinhar que, com o realce, a refestança, a refavela e o rebento, impressos na poética do compositor, assistimos à politização do estético e à estetização do político como o sinal inconfundível da travessia do “ministrartista” pelas páginas da imprensa brasileira, pelos palcos das cidades nacionais e internacionais, nos sonhos imantados à sua arte. 
Escrever sobre Gilberto Gil requer, portanto, a abertura para ler a cena do cotidiano: rever a dinâmica de discursos associados à sua performance, intercalar traços circunstanciais e lidar com as incertezas da realidade brasileira. Desse modo, dedicar-se a um estudo sobre este compositor provoca o sentimento de vitalidade, por usufruir da força e da beleza do ritmo de suas canções e, ao mesmo tempo, por percorrer o mosaico de signos que a biografia deste artista agrega.
Para usar uma expressão de Gilberto Gil, exige-se do investigador uma “consciência bailarina”, já que são inúmeras as possibilidades de entrada e de saída para a poética e a política do artista: um corpo polimorfo, de uma vida que se quis curiosa e, especialmente, muito inventiva. O cancioneiro deste músico e o desdobramento de sua arte pela política institucional não cessam de pedir diferentes combinações argumentativas que motivam o saber sobre sua história, contrariando o cansaço de quem se deixou levar pelas suas inúmeras viagens e exposições em público. Gil é um mestre na arte de compor, mas também fez de sua história o realce da vida: “Com a cor do veludo/ com amor, com tudo/ De real teor de beleza”.                                                Cássia Lopes

 
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